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Vale a pena escrever um livro sem querer ser escritor?

Autor: Rui Guerreiro

Muita gente acredita que escrever um livro é coisa exclusiva de escritores profissionais. 

Pessoas que acordam todos os dias com vontade de escrever, vivem rodeadas de livros e sonham com prateleiras cheias do próprio nome. A realidade é bem diferente.

Grande parte dos livros publicados não nasce desse perfil romântico. Nasce de pessoas comuns, com percursos singulares, experiências fortes, conhecimento acumulado ou simplesmente uma história que merece ser contada. Pessoas que, curiosamente, não se consideram escritoras.

E é aqui que surge a pergunta honesta: vale mesmo a pena escrever um livro sem querer ser escritor?

Na maioria dos casos, a resposta é sim.

Um livro não é apenas literatura. É registo, memória, legado, autoridade, expressão. Há livros que existem para emocionar, outros para ensinar, outros apenas para não deixar uma história morrer esquecida numa gaveta ou na cabeça de quem a viveu.

Há empresários que escrevem um livro para organizar o que aprenderam ao longo da vida. Há profissionais liberais que o fazem para dar contexto e profundidade ao seu trabalho. Há pessoas que querem contar uma história familiar, uma vivência marcante ou um processo de transformação pessoal. Nenhuma destas motivações exige o desejo de “ser escritor”. Exige apenas vontade de dar forma a algo que já existe por dentro.

O bloqueio surge quase sempre no mesmo ponto: o processo.

Ter vontade é uma coisa. Saber por onde começar é outra. Estruturar ideias, escolher o tom, decidir o que entra e o que fica de fora, manter consistência ao longo do texto, tudo isso transforma rapidamente o entusiasmo inicial em frustração. Não por falta de conteúdo, mas por falta de método.

É aqui que muitas boas ideias morrem.

Curiosamente, os livros que chegam ao fim raramente são escritos a solo. Por trás deles há quase sempre orientação editorial, acompanhamento, revisão, estrutura. Escrever não é apenas inspiração, é construção. Tal como uma casa precisa de projecto antes de ser habitável, um livro precisa de arquitectura antes de ser lido.

Nos últimos anos tem crescido muito o número de pessoas que procuram apoio profissional para escrever o seu livro sem abdicar da própria voz. Não para delegar a história, mas para a organizar. Não para “comprar um livro”, mas para conseguir escrevê-lo de forma consistente e digna.

Nesse contexto, o trabalho de acompanhamento editorial tornou-se uma ponte entre a vontade e o livro real. Um processo onde alguém experiente ajuda a dar forma, ritmo e coerência ao texto, respeitando a identidade de quem o assina.

É precisamente esse tipo de abordagem que profissionais como o Rui Guerreiro desenvolvem. Não como um escritor que se sobrepõe à história do outro, mas como alguém que caminha ao lado do autor, ajudando a transformar ideias dispersas num livro com princípio, meio e fim. Sem pressa artificial, sem fórmulas mágicas, sem descaracterizar quem escreve.

No fundo, escrever um livro sem querer ser escritor não é uma contradição. É apenas reconhecer que o livro não é um fim em si mesmo. É um meio.

Um meio de organizar pensamentos, partilhar uma história, deixar algo que permanece depois de nós.

E isso, convenhamos, não exige um escritor profissional. Exige apenas alguém com algo verdadeiro para dizer e a decisão de não deixar essa voz perder-se no silêncio.

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Rui Guerreiro

Escritor, pintor e músico compositor

Rui Guerreiro é um criador multifacetado com mais de 30 anos de experiência que vive entre a palavra, a cor e o som. Começou como letrista e músico, tornou-se escritor publicado e dedicou duas décadas ao restauro e pintura decorativa em espaços históricos.

Trabalhou em igrejas, museus, palácios, coleções privadas e colaborou com artistas premiados como José Cid. Hoje divide-se entre a escrita, a música e a pintura, sempre com o mesmo propósito: criar obras com verdade, emoção e técnica.

Leia a biografia completa.

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